Quanto protetor solar aplicar, como e quando: o guia completo
- Ellene Papazis

- 10 de set. de 2023
- 5 min de leitura
Atualizado: há 9 horas
Quase toda a gente aplica menos protetor solar do que devia, e por isso obtém uma proteção muito inferior à indicada na embalagem. A dose de referência é de dois miligramas por centímetro quadrado de pele. Na prática: duas falanges de dedo indicador para o rosto e pescoço, e cerca de uma colher de chá por cada zona do corpo — cada braço, cada perna, tronco à frente, tronco atrás. Reaplicar de duas em duas horas na exposição direta. Aplicar metade da dose não dá metade da proteção: dá muito menos.
Quanto protetor solar aplicar no rosto?
Duas falanges de dedo indicador — a regra dos dois dedos. Espreme-se produto ao longo do dedo indicador e do dedo médio, do início da unha até à base do dedo. Essa quantidade cobre rosto e pescoço.
Em medida de volume, corresponde a cerca de um terço a meia colher de chá só para o rosto.
É bastante mais do que a maioria das pessoas usa. Se a embalagem lhe dura meses, está a aplicar de menos.
Existe um pormenor que muda tudo: a proteção não é proporcional à quantidade. Aplicar metade da dose de um FPS 50 não dá FPS 25 — dá algo mais próximo de FPS 7. É por isso que a quantidade importa mais do que o número no frasco.
Como aplicar protetor solar no rosto?
Aplique com a pele limpa e seca, antes da maquilhagem.
Distribua em pequenos pontos por toda a face e espalhe. Não esfregue com força — a fricção reduz a uniformidade da camada.
As zonas mais esquecidas, por ordem: orelhas, pescoço, nuca, contorno dos olhos, lábios e couro cabeludo na risca do cabelo ou em zonas com pouco cabelo. Nos lábios use um stick com FPS.
Espere dois a três minutos antes de aplicar outro produto por cima.
Em que momento usar protetor solar?
Todos os dias, todo o ano, mesmo em dias nublados e mesmo em dias de trabalho dentro de casa.
A radiação UVA atravessa nuvens e vidro. É a principal responsável pelo fotoenvelhecimento e contribui para o cancro cutâneo. Estar ao pé de uma janela é exposição.
Aplicar de manhã, como último passo da rotina de cuidados e antes da maquilhagem. Se sair de casa, reaplicar de duas em duas horas na exposição direta, e sempre depois de nadar, transpirar ou secar-se com toalha.
Em dia de trabalho em interior, com pouca exposição à janela, uma aplicação de manhã costuma ser suficiente.
Que protetor solar devo usar?
Os critérios a exigir, independentemente da marca:
FPS 30 no mínimo, e 50+ em fototipos claros, melasma, rosácea ou história de cancro cutâneo
Proteção UVA — o símbolo UVA dentro de um círculo, obrigatório na União Europeia
Textura que goste, porque o melhor protetor solar é o que se aplica todos os dias
Não comedogénico, se tem tendência a acne
Para a face, um produto específico de rosto tende a ter melhor textura e menos probabilidade de obstruir poros do que um de corpo.
Pele oleosa ou com acne: procurar texturas em gel, fluido ou sérum, com menção a não comedogénico e acabamento mate.
Pele sensível ou com rosácea: filtros minerais, com óxido de zinco ou dióxido de titânio, e sem fragrância.
Melasma ou manchas: filtro com cor, porque o pigmento — geralmente óxido de ferro — bloqueia também a luz visível, que os filtros transparentes não travam e que estimula a pigmentação.
Crianças: filtros minerais a partir dos seis meses. Abaixo dessa idade, a recomendação é evitar exposição direta e usar roupa e sombra em vez de produto.
Existe protetor solar 100 SPF? Vale a pena?
Existe em alguns mercados, mas o ganho é marginal e o número engana.
Um FPS 30 bloqueia cerca de 97% da radiação UVB. Um FPS 50 bloqueia cerca de 98%. Um FPS 100 bloqueia cerca de 99%. A diferença entre 50 e 100 é de um ponto percentual.
Na União Europeia, a rotulagem não permite indicar valores acima de 50+ precisamente porque induziria em erro.
O risco é comportamental: quem usa um número muito alto tende a sentir-se protegido e a ficar mais tempo ao sol sem reaplicar. Um FPS 50 bem aplicado e reaplicado protege mais do que um FPS 100 aplicado uma vez de manhã.
Protetor solar mineral ou químico? E os “naturais”?
Os filtros minerais (óxido de zinco, dióxido de titânio) atuam sobretudo refletindo e dispersando a radiação. São bem tolerados em pele sensível, atuam imediatamente após a aplicação, mas podem deixar um véu esbranquiçado, sobretudo em fototipos mais altos.
Os filtros orgânicos, muitas vezes chamados químicos, absorvem a radiação. Têm textura mais leve e não deixam resíduo branco. São igualmente seguros e eficazes.
A designação “natural” não tem definição regulamentar em cosmética. Um filtro mineral pode ser descrito como natural, mas o óxido de zinco usado em cosmética é produzido industrialmente.
O que não existe é proteção solar eficaz a partir de óleos vegetais. Óleo de coco, de framboesa ou de cenoura não têm FPS relevante, e circulam nas redes sociais como alternativa. Não são.
Para que serve realmente o protetor solar?
Três coisas, por ordem de importância clínica.
Prevenir o cancro da pele. O uso regular reduz a incidência de carcinoma espinocelular e de melanoma. É a razão principal, embora raramente seja a que leva alguém a comprar.
Prevenir o fotoenvelhecimento. A radiação ultravioleta é responsável pela maior parte das rugas, da flacidez e das manchas atribuídas à idade. A comparação entre a pele do rosto e a do interior do braço, na mesma pessoa, mostra a diferença melhor do que qualquer explicação.
Prevenir e controlar manchas. No melasma e na hiperpigmentação pós-inflamatória, a fotoproteção não é acessória: sem ela, nenhum tratamento clareador funciona.
Os erros mais frequentes
Aplicar de menos — o mais comum de todos
Não reaplicar durante o dia
Usar só em dias de sol ou de praia
Esquecer orelhas, pescoço, mãos e lábios
Confiar no FPS da base de maquilhagem, que raramente é aplicada em quantidade suficiente
Aplicar depois de já estar ao sol
Usar produto do ano anterior fora do prazo ou mal conservado ao calor
Quando falar com um dermatologista?
Quando tem manchas, melasma ou rosácea e precisa de um filtro adequado ao caso
Quando os protetores solares lhe provocam borbulhas ou irritação
Quando tem fototipo I ou II, muitos sinais ou história familiar de melanoma
Quando teve queimaduras solares com bolhas, sobretudo na infância
Quando tem um sinal que mudou de tamanho, cor ou forma
A Dra. Ellene Papazis é dermatologista com especialidade reconhecida em Portugal e no Brasil, com formação em oncologia cutânea, e realiza mapeamento de sinais no Porto.
Fontes
American Academy of Dermatology — recomendações de fotoproteção
Regulamento (CE) n.º 1223/2009 relativo aos produtos cosméticos — rotulagem de proteção solar na UE
European Academy of Dermatology and Venereology
Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia
Artigo escrito e revisto pela Dra. Ellene Papazis, dermatologista com especialidade reconhecida em Portugal e no Brasil. Consultas no Porto.
Atualizado em 25 de julho de 2026.
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