Qual é o meu fototipo de pele? Escala de Fitzpatrick explicada

Atualizado: 25 de jul.
O fototipo é a classificação da sua pele segundo a forma como reage ao sol: se queima, se bronzeia, e com que facilidade. A escala de Fitzpatrick, criada em 1975, divide a população em seis fototipos, do I ao VI. Para saber o seu, responda a três perguntas: de que cor é a sua pele nas zonas nunca expostas ao sol, o que acontece quando fica ao sol sem proteção durante meia hora, e se bronzeia ou não. Quem queima sempre e nunca bronzeia é fototipo I ou II. Quem nunca queima e bronzeia sempre é V ou VI.
Como saber qual é o meu fototipo?
Responda às três perguntas e some os pontos.
1. Qual é a cor da sua pele nas zonas nunca expostas ao sol? (interior do braço, por exemplo)
Branca leitosa, muitas vezes com sardas — 0 pontos
Branca — 2 pontos
Branca a bege — 4 pontos
Bege clara — 8 pontos
Castanha — 12 pontos
Castanha escura a preta — 16 pontos
2. O que acontece se ficar meia hora ao sol do meio-dia, sem proteção, depois de um inverno sem exposição?
Queima sempre, dolorosamente, e descama — 0 pontos
Queima quase sempre e descama um pouco — 2 pontos
Queima moderadamente — 4 pontos
Queima raramente — 8 pontos
Queima muito raramente — 12 pontos
Nunca queima — 16 pontos
3. E quanto ao bronzeado?
Nunca bronzeia — 0 pontos
Bronzeia muito pouco — 2 pontos
Bronzeia de forma ligeira — 4 pontos
Bronzeia com facilidade — 8 pontos
Bronzeia muito e depressa — 12 pontos
A pele já é naturalmente escura — 16 pontos
Resultado: 0 a 6 pontos, fototipo I · 7 a 12, fototipo II · 13 a 20, fototipo III · 21 a 30, fototipo IV · 31 a 40, fototipo V · acima de 40, fototipo VI.
Este questionário orienta, mas não substitui a avaliação de um dermatologista, que considera também a cor dos olhos e do cabelo, a presença de sardas e o comportamento da pele ao longo do tempo.
Os seis fototipos de Fitzpatrick
Fototipo 1 (I)
Pele muito clara, frequentemente com sardas. Cabelo ruivo ou louro muito claro, olhos azuis ou verdes.
Ao sol: queima sempre, com dor, e descama. Nunca bronzeia.
É o fototipo com maior risco de cancro cutâneo. Exige proteção solar rigorosa todo o ano, roupa e chapéu, e vigilância regular de sinais.
Fototipo 2 (II)
Pele clara. Cabelo louro ou castanho-claro, olhos claros.
Ao sol: queima com facilidade. Bronzeia muito pouco, e o bronzeado desaparece depressa.
Risco elevado de cancro cutâneo. Protetor solar diário e reforço de duas em duas horas na exposição direta.
Fototipo 3 (III)
Pele branca a bege. Cabelo e olhos de cor variável, geralmente castanhos.
Ao sol: queima moderadamente nas primeiras exposições. Bronzeia gradualmente, de forma uniforme.
É o fototipo mais comum em Portugal. A tolerância moderada engana: continua a haver risco acumulado e propensão a manchas.
Fototipo 4 (IV)
Pele bege a castanha-clara. Cabelo e olhos escuros.
Ao sol: queima raramente. Bronzeia com facilidade e mantém o bronzeado.
Menor risco de queimadura, mas maior tendência para hiperpigmentação pós-inflamatória: qualquer inflamação, borbulha ou arranhão pode deixar mancha escura duradoura.
Fototipo 5 (V)
Pele castanha. Cabelo e olhos escuros.
Ao sol: queima muito raramente. Bronzeia intensamente.
O risco de cancro cutâneo é baixo, mas não é nulo — e o diagnóstico costuma ser mais tardio, o que agrava o prognóstico. Merece atenção especial às palmas das mãos, plantas dos pés e unhas, onde as lesões são mais frequentes nestes fototipos.
Fototipo 6 (VI)
Pele castanha-escura a preta. Cabelo e olhos escuros.
Ao sol: nunca queima. Pigmenta intensamente.
A melanina oferece proteção natural equivalente a um FPS baixo, o que não dispensa proteção solar. As principais preocupações dermatológicas são a hiperpigmentação, o melasma e as cicatrizes queloides.
Quantos fototipos de pele existem?
Seis, na escala de Fitzpatrick, numerados de I a VI. Foi desenvolvida em 1975 por Thomas Fitzpatrick, dermatologista da Universidade de Harvard, inicialmente para calcular doses de fototerapia com precisão.
Existem outras classificações, mas a de Fitzpatrick continua a ser a referência internacional em dermatologia, tanto na prática clínica como na investigação.
O fototipo muda quando me bronzeio?
Não. E é aqui que quase toda a gente se engana.
Há duas pigmentações diferentes na pele. A constitutiva é a cor com que nasceu, determinada geneticamente, visível nas zonas nunca expostas ao sol — o interior do braço é o melhor sítio para a observar. A facultativa é a que ganha com a exposição solar, e é reversível.
O fototipo baseia-se na pigmentação constitutiva. Um fototipo II bem bronzeado continua a ser fototipo II, e continua a queimar-se com a mesma facilidade quando o bronzeado passar. O fototipo não se altera ao longo da vida.
O fototipo influencia a depilação a laser?
Influencia, e de forma decisiva.
O laser de depilação atua sobre a melanina do pelo. Quanto mais melanina houver na pele em redor, maior o risco de a energia ser absorvida pela pele em vez do folículo — o que pode causar queimadura, hipopigmentação ou hiperpigmentação.
Nos fototipos I a III, a diferença de contraste entre pelo escuro e pele clara torna o procedimento mais simples. A partir do fototipo IV, a escolha do equipamento e dos parâmetros passa a ser determinante: o laser de Nd:YAG é geralmente o mais seguro em peles mais pigmentadas.
O mesmo raciocínio aplica-se a peelings químicos, luz intensa pulsada e lasers fracionados. É por isso que o fototipo é sempre avaliado antes de qualquer procedimento.
O fototipo determina o risco de cancro da pele?
É um dos fatores mais relevantes, mas não o único.
Fototipos I e II têm o risco mais elevado de carcinoma basocelular, carcinoma espinocelular e melanoma. Contam também o número de queimaduras solares ao longo da vida — sobretudo na infância —, a quantidade de sinais, a história familiar e a exposição acumulada.
Fototipos mais altos têm risco menor, mas não estão isentos. Nestes casos o melanoma surge com mais frequência em zonas pouco expostas — palmas, plantas e unhas — e é frequentemente diagnosticado tarde.
Que proteção solar devo usar no meu fototipo?
Fototipos I e II: FPS 50+ diariamente, todo o ano, com reforço de duas em duas horas na exposição direta. Roupa, chapéu e óculos. Evitar o sol entre as 11h e as 16h.
Fototipos III e IV: FPS 30 a 50 diariamente, com reforço na exposição prolongada. A tendência para manchas justifica proteção mesmo em dias nublados.
Fototipos V e VI: FPS 30 diariamente. A proteção continua a ser necessária, sobretudo para prevenir hiperpigmentação e melasma, que são as queixas mais frequentes nestes fototipos.
Em todos os fototipos, a quantidade importa mais do que o número no frasco. A dose de referência é de dois miligramas por centímetro quadrado, o que corresponde, para o rosto e o pescoço, a cerca de duas falanges de dedo indicador de produto.
Fontes
Fitzpatrick TB. The validity and practicality of sun-reactive skin types I through VI. Archives of Dermatology, 1988
American Academy of Dermatology — recomendações de fotoproteção
European Academy of Dermatology and Venereology
Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia
Artigo escrito e revisto pela Dra. Ellene Papazis, dermatologista com especialidade reconhecida em Portugal e no Brasil. Consultas no Porto.
Atualizado em 25 de julho de 2026.



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