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PRP capilar: funciona, quantas sessões e que resultados esperar

  • Foto do escritor: Ellene Papazis
    Ellene Papazis
  • 5 de abr. de 2025
  • 4 min de leitura

Atualizado: 25 de jul.

O PRP capilar consiste em colher uma pequena quantidade do seu sangue, separar por centrifugação a fração rica em plaquetas e injetá-la no couro cabeludo. As plaquetas libertam fatores de crescimento que estimulam os folículos. A evidência mostra aumento da densidade capilar na alopécia androgenética e na alopécia areata, sobretudo quando associado a outros tratamentos. Faz-se habitualmente em três a quatro sessões iniciais, espaçadas por quatro semanas, com manutenção posterior. Os resultados começam a notar-se por volta do terceiro mês. Não é um tratamento definitivo nem substitui transplante em calvície avançada.


O PRP capilar funciona mesmo?

Funciona em situações específicas, e é aí que está toda a diferença.

Nas revisões e meta-análises publicadas, o PRP mostra aumento consistente da densidade capilar na alopécia androgenética — o número de fios por centímetro quadrado sobe. O efeito sobre a espessura de cada fio é menos consistente entre estudos.

Na alopécia areata, os resultados são superiores ao placebo e comparáveis aos corticosteroides injetáveis, com menos efeitos adversos.

O que a evidência não sustenta: fazer nascer cabelo onde o folículo já desapareceu. O PRP estimula folículos que ainda existem, mesmo miniaturizados. Numa zona completamente calva há anos, não há o que estimular.

Por isso a pergunta correta não é "o PRP funciona?" mas "o PRP funciona no meu caso?" — e isso depende do tipo de alopécia, do tempo de evolução e do estado dos folículos, que se avalia por tricoscopia.


Quantas sessões de PRP capilar são necessárias?

O protocolo mais usado é de três a quatro sessões iniciais, com intervalo de quatro semanas.

Segue-se uma fase de manutenção, em geral de uma sessão de três em três ou de seis em seis meses, ajustada à resposta de cada pessoa.

Uma sessão isolada não produz resultado duradouro. Quem faz uma e desiste não chega a saber se teria funcionado.


Quanto tempo demora a ver resultados?

Não há mudança visível nas primeiras semanas, e é importante saber isso à partida.

O ciclo de crescimento do cabelo é lento. A redução da queda costuma ser o primeiro sinal, por volta das seis a oito semanas. O aumento visível de densidade aparece geralmente entre o terceiro e o sexto mês.

A avaliação faz-se por comparação fotográfica padronizada e tricoscopia, não por impressão. A perceção de quem se vê ao espelho todos os dias é pouco fiável nos dois sentidos.


Quanto tempo dura o efeito do PRP capilar?

O efeito não é permanente.

A alopécia androgenética é progressiva e depende de fatores hormonais e genéticos que o PRP não elimina. Sem manutenção, a densidade tende a regressar ao longo dos meses seguintes.

É por isso que o PRP se pensa como tratamento continuado, e não como um procedimento único. Quem procura uma solução definitiva numa sessão vai ficar desiludido — e é melhor sabê-lo antes de começar.


O PRP capilar dói?

Há desconforto, sobretudo nas injeções na zona frontal, onde o couro cabeludo é mais sensível.

A colheita de sangue é igual a uma análise. As injeções são superficiais e rápidas. Aplica-se anestésico tópico antes, e em pessoas mais sensíveis pode usar-se também frio local ou anestesia infiltrativa.

A maioria descreve a sessão como incómoda mas tolerável, e regressa à atividade normal no mesmo dia. Pode ficar sensibilidade no couro cabeludo durante um ou dois dias.


Quanto custa o PRP capilar?

O valor depende do número de sessões, do protocolo e do equipamento de centrifugação utilizado, que varia bastante entre clínicas.

Mais relevante do que o preço por sessão é perceber o plano completo: quantas sessões iniciais, com que intervalo, e qual a manutenção prevista. Um preço por sessão baixo num protocolo mal definido acaba por sair mais caro e com pior resultado.

O orçamento é apresentado após a consulta de avaliação, porque só aí se sabe o número de sessões indicado para cada caso.


Para quem o PRP capilar é indicado?

Costuma resultar bem em:

  • Alopécia androgenética em fase inicial ou moderada, com folículos ainda presentes

  • Alopécia areata, isolada ou associada a outros tratamentos

  • Eflúvio telógeno com queda prolongada

  • Complemento a transplante capilar, antes ou depois

  • Quem não tolera ou não quer medicação oral

Costuma resultar mal, ou não estar indicado, em:

  • Calvície avançada, com áreas sem folículos há vários anos

  • Alterações da coagulação ou terapêutica anticoagulante

  • Infeção ativa no couro cabeludo

  • Doença hematológica ou oncológica ativa

  • Quem espera resultado sem manutenção


PRP capilar ou transplante capilar?

São coisas diferentes, e não concorrentes.

O transplante move folículos de uma zona doadora para uma zona sem cabelo. É a única forma de repovoar uma área onde o folículo já não existe.

O PRP estimula folículos que ainda estão presentes. Não cria folículos novos.

Na prática clínica combinam-se: o PRP pode ser usado antes do transplante para melhorar a qualidade do couro cabeludo, e depois para favorecer a sobrevivência dos enxertos e travar a perda do cabelo nativo, que continua a existir e continua a cair.

Fazer transplante sem tratar a alopécia de base é um erro frequente: os enxertos mantêm-se, mas o cabelo em redor continua a rarear, e o resultado desfaz-se com o tempo.


PRP com minoxidil ou isolado?

A combinação tem melhores resultados do que qualquer um isoladamente.

Os estudos que compararam PRP associado a minoxidil tópico com minoxidil isolado mostram maior densidade capilar terminal no grupo combinado.

Quando comparado diretamente com o minoxidil isolado na alopécia androgenética moderada, o PRP mostra eficácia semelhante. Isto sugere que o seu lugar é o de tratamento complementar, integrado num plano, e não o de substituto.


O PRP capilar é seguro?

O perfil de segurança é favorável, porque o material injetado é o próprio sangue do doente — não há risco de rejeição nem de reação alérgica ao produto.

Os efeitos adversos descritos limitam-se, na quase totalidade, a dor no local da injeção e vermelhidão transitória.

O risco real está no procedimento, não no produto. Exige colheita, centrifugação e injeção em condições de assepsia, por médico. A manipulação de sangue fora de um contexto clínico adequado é o principal perigo associado a este tratamento.

Antes de marcar, confirme quem executa o procedimento e onde. Deve ser um médico, em ambiente clínico.


Fontes

  • Meta-análises e revisões sistemáticas sobre PRP na alopécia androgenética e areata publicadas entre 2023 e 2024

  • American Academy of Dermatology — recomendações sobre alopécia androgenética

  • European Academy of Dermatology and Venereology

  • Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia


Artigo escrito e revisto pela Dra. Ellene Papazis, dermatologista com especialidade reconhecida em Portugal e no Brasil, com prática em tricologia. Consultas no Porto.

Atualizado em 25 de julho de 2026.

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