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Melasma: o que causa, como tratar e como clarear as manchas do rosto

  • Foto do escritor: Ellene Papazis
    Ellene Papazis
  • 11 de set. de 2023
  • 5 min de leitura

Atualizado: há 9 horas

O melasma é uma hiperpigmentação adquirida que surge em manchas castanhas simétricas na face — sobretudo maçãs do rosto, testa, buço e queixo. Resulta da combinação de predisposição genética, hormonas e exposição solar, e afeta sobretudo mulheres entre os 20 e os 50 anos. Não desaparece definitivamente, mas clareia de forma significativa com tratamento adequado e fotoproteção rigorosa. O tratamento combina despigmentantes tópicos, proteção solar diária e, em casos selecionados, medicação oral ou laser. Sem proteção solar, qualquer tratamento falha.


O que é o “pano na cara”?

É o nome popular do melasma. Também se ouve máscara da gravidez ou cloasma, quando surge durante a gestação.

São todos o mesmo quadro: manchas castanhas ou acastanhadas, de bordos irregulares mas contorno bem definido, distribuídas de forma simétrica nos dois lados da face. A simetria é característica e ajuda a distingui-lo de outras manchas.


O que causa o melasma no rosto?

Três fatores concorrem, e raramente age só um.

Sol. É o principal. A radiação ultravioleta e também a luz visível — incluindo a dos ecrãs, embora em muito menor grau — estimulam os melanócitos. Basta uma exposição descuidada para desfazer meses de tratamento.

Hormonas. Gravidez, contracetivos orais e terapêutica hormonal. Explica a esmagadora predominância feminina e o aparecimento após a gravidez ou o início da pílula.

Genética. É frequente haver mãe ou irmãs com o mesmo quadro. Predomina em fototipos III a V.

Contribuem ainda o calor — fornos, cozinhados, saunas —, alguns medicamentos fotossensibilizantes e a inflamação cutânea prévia.


Que tipos de melasma existem?

A classificação depende da profundidade do pigmento, e determina o prognóstico.

Epidérmico. O pigmento está na camada superficial. As manchas são castanhas bem definidas e é o tipo que melhor responde ao tratamento.

Dérmico. O pigmento está mais profundo. As manchas têm tonalidade acinzentada ou azulada, bordos menos nítidos, e a resposta ao tratamento é mais lenta e limitada.

Misto. Coexistem os dois. É o mais frequente.

A distinção faz-se em consulta, com dermatoscopia e luz de Wood. Não é um detalhe académico: determina o que é realista esperar.


Como tirar as manchas de melasma da cara?

O tratamento assenta em três pilares, e nenhum funciona sozinho.

1. Fotoproteção. Não é um conselho acessório — é a base. Protetor solar FPS 50+ com proteção contra luz visível, que os filtros com pigmento (cor) oferecem e os transparentes não. Aplicar de manhã e reaplicar de quatro em quatro horas. Chapéu de aba larga.

2. Despigmentantes tópicos. Hidroquinona, ácido azelaico, ácido kójico, ácido tranexâmico tópico, niacinamida, retinoides, vitamina C. Usam-se isolados ou em fórmulas combinadas, e a escolha depende do tipo, da fase e da tolerância da pele.

3. Procedimentos. Peelings químicos superficiais, microagulhamento com despigmentantes e lasers específicos. São complemento, nunca ponto de partida.

Nos casos resistentes, existe ácido tranexâmico oral, com prescrição e vigilância médica — tem contraindicações relevantes, sobretudo em quem tem risco trombótico.


Qual é o melhor creme para o melasma no rosto?

A resposta honesta é que depende, e que o creme sozinho não chega.

Com receita: a hidroquinona continua a ser o despigmentante mais eficaz, usada em ciclos limitados e sob vigilância. As fórmulas combinadas com retinoide e corticosteroide são o padrão de referência para casos moderados a graves.

Sem receita: ácido azelaico, ácido tranexâmico tópico, niacinamida, vitamina C, alfa-arbutina. São mais lentos mas melhor tolerados no uso prolongado, e servem bem para manutenção.

O erro mais comum é comprar o creme e descurar o protetor solar. Nessa ordem, o resultado é previsível: pouco ou nenhum.


O tratamento a laser resolve?

Ajuda em casos selecionados, e agrava noutros.

O melasma é uma condição inflamatória e vascular, não apenas pigmentar. Calor e inflamação estimulam os melanócitos — e o laser, mal escolhido ou mal parametrizado, faz exatamente isso.

Os equipamentos com melhor perfil são os lasers de baixa fluência, usados com energia reduzida e em várias sessões. Estão contraindicados os lasers ablativos agressivos e a luz intensa pulsada em parâmetros altos, que podem provocar agravamento duradouro.

O laser nunca é o primeiro passo. Faz-se depois de o quadro estar estabilizado com tópicos e fotoproteção, e o custo depende do número de sessões, definido após avaliação.


Como tratar o melasma “de dentro para fora”?

A expressão costuma referir-se a duas coisas diferentes.

Medicação oral com evidência: o ácido tranexâmico oral mostrou resultados em casos resistentes, com prescrição médica e após avaliação de risco trombótico. Não é um suplemento e não se compra sem receita.

Suplementos antioxidantes: Polypodium leucotomos, ácido tranexâmico, glutationa e vitamina C oral são usados como adjuvantes. A evidência é modesta e nenhum substitui o tratamento tópico ou a fotoproteção.

O que não existe é uma cura pela alimentação. Uma dieta equilibrada beneficia a pele em geral, mas não clareia melasma.


Os tratamentos caseiros funcionam?

Alguns são inócuos. Outros pioram o quadro.

Não aplicar na face: limão, vinagre, bicarbonato, água oxigenada ou pasta de dentes. O limão é o mais perigoso — é fototóxico, e a combinação com o sol provoca uma queimadura química que deixa mancha ainda mais escura e persistente do que a original.

O melasma é uma condição inflamatória. Qualquer coisa que irrite a pele tende a agravá-lo, e isso inclui esfoliação excessiva, escovas de limpeza e ácidos usados por conta própria.


Elimina-se o melasma definitivamente?

Não. Controla-se, e o controlo pode ser muito bom.

É uma condição crónica e recidivante. Com tratamento adequado, é possível clarear substancialmente as manchas e mantê-las assim durante anos — desde que a fotoproteção se mantenha.

A recidiva é a regra quando a proteção solar é abandonada. Um verão sem cuidado desfaz o resultado de um ano de tratamento.

O melasma da gravidez pode regredir espontaneamente nos meses seguintes ao parto, mas nem sempre acontece, e a probabilidade de voltar numa gravidez seguinte é alta.


Quem tem melasma pode fazer solário?

Não.

O solário emite radiação ultravioleta em doses concentradas, que é precisamente o principal estímulo do melasma. Além de agravar as manchas de forma marcada, aumenta o risco de cancro cutâneo e acelera o envelhecimento da pele.

Não existe bronzeamento seguro em quem tem melasma — nem em solário, nem ao sol.


Nem toda a mancha castanha é melasma

Esta secção existe por uma razão.

Manchas castanhas na face podem ser lentigos solares, mais pequenos e assimétricos, ligados à exposição acumulada. Podem ser queratoses seborreicas, com relevo e superfície rugosa. Podem ser hiperpigmentação pós-inflamatória, sequela de acne ou de outra lesão.

E podem, em casos raros mas reais, ser lesões malignas. O lentigo maligno é um melanoma que se apresenta como uma mancha castanha plana, de crescimento lento, em pele com dano solar — e é frequentemente confundido com uma mancha de idade.

Uma mancha castanha nova, que cresce, muda de cor, tem contorno irregular ou é claramente diferente das outras, deve ser observada. O tratamento clareador aplicado a uma lesão maligna atrasa o diagnóstico.


Quando procurar um dermatologista?

  • Quando surgem manchas castanhas na face pela primeira vez

  • Antes de iniciar qualquer clareador, para saber que tipo de mancha é

  • Quando três meses de tratamento adequado não mudaram nada

  • Quando as manchas voltam sempre depois do verão

  • Quando uma mancha é diferente das outras, cresce ou muda

  • Quando as manchas estão a condicionar a autoestima

A Dra. Ellene Papazis é dermatologista com especialidade reconhecida em Portugal e no Brasil, e acompanha doentes com melasma no Porto.


Fontes

  • American Academy of Dermatology — recomendações sobre melasma e hiperpigmentação

  • European Academy of Dermatology and Venereology

  • Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia

  • Pigmentary Disorders Academy — consensos sobre classificação e tratamento do melasma


Artigo escrito e revisto pela Dra. Ellene Papazis, dermatologista com especialidade reconhecida em Portugal e no Brasil. Consultas no Porto.

Atualizado em 25 de julho de 2026.

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